O Pacto Ecológico Europeu e a sua estratégia «Do Prado ao Prato» exigem uma transformação profunda do sistema alimentar europeu. Alcançar a neutralidade climática, reduzir o uso de produtos químicos, adotar tecnologias digitais e promover práticas de economia circular exigirá não só novas tecnologias, mas também uma força de trabalho dotada de novas competências.
No entanto, os sistemas de educação e formação atuais continuam a ser altamente fragmentados. As universidades, o ensino profissional e a formação profissional centram-se frequentemente em disciplinas distintas, deixando os licenciados sem as competências interdisciplinares que o setor agroalimentar exige cada vez mais.
Esta lacuna de competências é também visível no local de trabalho. Os profissionais experientes possuem frequentemente conhecimentos práticos valiosos, mas competências digitais limitadas, enquanto os trabalhadores mais jovens estão familiarizados com as novas tecnologias, mas carecem de conhecimentos especializados em saúde do solo, biodiversidade e agricultura regenerativa.
Para fazer face a estes desafios, a Europa necessita de uma abordagem mais integrada em matéria de educação. Os programas de formação devem combinar competências ambientais, digitais, técnicas e empresariais, com base em quadros europeus como o GreenComp, o DigComp e o EntreComp.
A aprendizagem deve também tornar-se mais prática através de laboratórios móveis de aprendizagem [Phygital Learning Labs], que combinam a aprendizagem física e digital. Centros de formação móveis equipados com realidade virtual, gémeos digitais e tecnologias de simulação têm o potencial de levar formação avançada diretamente às comunidades rurais.
Estágios internacionais nomeadamente no âmbito da Simbiose Industrial e da Economia Circular constituem uma excelente oportunidade para reforçar a cooperação entre as regiões europeias. Estudantes, profissionais e PME poderão trabalhar em conjunto em desafios reais de sustentabilidade, promovendo a troca de conhecimentos entre regiões agrícolas, centros de investigação, fornecedores de tecnologia e empresas do setor alimentar.
A transição para sistemas alimentares sustentáveis depende também dos cidadãos e das comunidades locais. Os consumidores influenciam os mercados através das suas decisões de compra. Os municípios, as escolas, as empresas e as organizações da sociedade civil podem desempenhar um papel importante através da criação de Centros de Aprendizagem que promovam o consumo responsável, a redução de resíduos e práticas de economia circular.
Em última análise, a transição alimentar da Europa exigirá profissionais capazes de trabalhar de forma interdisciplinar. Os futuros especialistas terão de ser capazes de combinar conhecimentos sobre agricultura regenerativa, tecnologias digitais, sustentabilidade industrial, princípios da economia circular e governação ambiental.
Através da reformulação da educação para que se torne mais integrada, prática e colaborativa, a Europa poderá dotar a sua força de trabalho das competências necessárias para acelerar o Pacto ecológico Europeu e construir um sistema alimentar mais resiliente, inovador e sustentável.